Que as palavras do meu mundo silencioso ecoem,
Que os sete ventos levem meus gritos de dor.
Enquanto gárgulas, na mente, odiosas, se semeiam,
Alimentando-se do meu terror, do meu pavor.
Ai, mundo cruel, onde fui lançado ao nascer!
São raros os que, como eu, sentem-se deslocados aqui.
Corações puros, só a morte os irá acolher,
Abençoando-os na sua partida, num final ali.
Amor, esse sentimento que me foge, me escapa,
Enquanto a doença me consome, me leva.
Vida e morte, ciclo atroz que não se adapta,
Aguardando o fim, quando a velhice se eleva.
Água, vento, fogo, terra, na natureza me deito,
Nas areias ardentes do deserto, onde só a brisa me beija.
Talvez como foragido, mal amado, no meu leito,
Na minha mente, essa fuga, essa ideia.
Desculpa, mas este será o meu último suspiro,
Com ele, encontro a felicidade na partida.
Parto com a esperança de encontrar o perdão no retiro,
Na certeza de que, no fim, terei a paz na despedida.
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