Todos vejo (reeditado)

O passado, uma memória que não se apaga,
E o futuro, um mistério que não se decifra.
Vivo o presente como se fosse uma página vaga,
Mas nesse esquecimento, a frustração se cifra.

Todos os dias, o passado em mim ressoa,
E cada ação minha no futuro repercute.
Tento reinventar-me, numa luta atroz e boa,
Mas por fora, a mesma aparência permanece, não muda.

De que vale a mudança se a face é a mesma?
Continuo eu, embora com um novo papel.
Neste teatro, refugio-me num palácio de espelhos,
Onde todos se veem, mas eu me oculto, ao léu.

Neste labirinto, observo, mas não sou visto,
Vejo todos, mas nenhum me conhece, é um risco.
Perdido entre reflexos, numa busca de sentido,
Procuro-me nos outros, em rostos desconhecidos.

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