Sentimento paradoxal

No vértice da noite, um poeta maldito,
Caminha pelas ruas de um amor renegado.
Na alma, o fardo de um sentimento escrito,
No coração, um ódio apaixonado.

Versos arrancados de um peito ferido,
Palavras que sangram desdém e dor.
Em cada linha, um amor proibido,
Na pena, o veneno do seu rancor.

Maldito seja o amor que tanto odeia,
Que nas sombras da paixão se perdeu.
Na sua mão, a escrita que receia,
Revelar o amor que nunca esqueceu.

Ódio de amar, sentimento paradoxal,
Que o consome na chama da inspiração.
No seu íntimo, um vendaval,
Uma tempestade de paixão.

A noite, confidente dos seus segredos,
Ouve os lamentos do poeta errante.
Nas estrelas, refletem os seus medos,
De um coração que ama, relutante.

Maldito poeta, amante da dor,
Encontra no ódio o seu refúgio.
Na solidão, alimenta o seu amor,
Numa batalha interna, um conflito.

Nas ruas desoladas, ecoa a sua voz,
Um grito de um amor que nunca nasceu.
No seu peito, um amor atroz,
Que o odeia tanto quanto o prendeu.

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