Sou um poeta, morto, a caminhar para o inferno,
Mas ao chegar lá em baixo, nem o Diabo me aceitou.
Rejeitado, fiquei preso na Terra, num eterno retorno,
Pois nem Deus quis acolher-me, e aqui me deixou.
Agora, agarrado a um papel e a uma caneta estou,
Pensava que ser escritor seria um destino glorioso.
Mas enganei-me, e agora, com o coração em estouro,
Percebo que a fama me tornou num ser doloroso.
Ela preferia-me quando eu era apenas estudante,
Quando a simplicidade nos unia, nos dias calmos.
Quando as manhãs eram nossas, vibrantes,
E eu lhe levava o pequeno-almoço, sem asfaltos.
Perdemos tudo isso, na minha ascensão ao estrelato,
Desde que abandonei o anonimato, tudo mudou.
Agora, sou apenas mais um poeta desgraçado,
Condenado a ver morrer aqueles que o amor tocou.
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