Perdoar (reeditado)

Para que serve perdoar, se a gratidão não vem?
Neste caminho que trilho, de ingratidão repleto,
Onde cada perdão parece um ato sem nexo,
E a cada passo, o desdém novamente se detém.

Encontro-me rodeado de almas frias,
Ingratas, impiedosas, na sua essência vazia.
Incapazes de compreender a doçura da amizade,
Um valor que prezo, numa busca de verdadeira bondade.

Culpo meu coração, excessivamente generoso,
Que vê o melhor nas pessoas, mesmo no nebuloso.
Valorizo a harmonia, a amizade sincera,
Mas nesse caminho, a traição sempre espera.

Sou cego, na minha ânsia de perdoar,
Esqueço que nem todos estão prontos para mudar.
Perdoo e logo em seguida, a facada vem,
Na mesma ferida, o golpe se repete, cruel também.

Neste ciclo de perdão e desilusão,
Pergunto-me sobre a verdadeira razão.
De um coração que insiste em ser bom,
Num mundo que não valoriza essa condição.

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