Alma doente (reeditado)

Ai, alma triste que nas minhas veias mora,
No corpo manchado, onde a dor impera.
Cada pensamento, uma sombra que devora,
Anunciando o fim, numa espera sincera.

Miséria que se instala, funda e amarga,
Nas partes frágeis deste mundo que agarro.
Congelam, apodrecem, na minha alma larga,
Despedem-se, caem, no meu desamparo.

Tão alto neste abismo de dor e sofrimento,
Sem esperança de salvação na minha queda.
Nem anjos, nem demónios, no meu tormento,
Podem aliviar esta minha longa peleja.

Perdido entre subir e descer, em desalento,
O ódio cresce, domina cada momento.
No teatro da vida, uma peça sem alento,
Sem plateia para ver o meu último lamento.

Maldita a hora em que nasci, sem escolha,
Anseio pelo fim, pela última folha.

Neste palco de angústia, meu coração grita,
Ecoando no vazio, na minha alma aflita.
Cada dia mais perto do inevitável fim,
Na escuridão da vida, onde tudo é tão ruim.

Nas noites longas, na solidão que aperta,
Busco um sinal, uma porta aberta.
Mas só encontro o silêncio, a triste sina,
De quem nasceu para a dor, para a ruína.

Na minha mente, um carrossel que não pára,
De memórias e dores que a vida prepara.
Rodeado por sombras, por fantasmas que choram,
Sou um espectro da vida, que os dias devoram.

Neste labirinto de desespero e de dor,
Espero o fim, o cessar do meu fervor.
Na quietude da morte, talvez encontre a paz,
Longe deste mundo cruel, que me desfaz.

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