A minha vida é uma caneta na mão,
Refúgio na mente, onde teço a minha arte.
Com palavras jogo, numa criação,
Pagando as dívidas da ilusão, antes que parta.
Tive de fugir dessa ilusão, ou sucumbia,
Nas palavras encontro meu seguro refúgio.
Quando do pensamento me desvio, espremia,
Da janela, a lua observo, no meu antigo lúgubre.
Numa dessas noites, algo me captou a atenção,
O voo de um falcão, rasgando a noite, sozinho.
Solitário e ameaçador, na sua imponente condição,
Fiquei preso naquela imagem, no meu cantinho.
Um falcão belo, a pairar, quase a tocar,
Na sua liberdade, vi um reflexo meu.
Naquele momento, pude me espelhar,
No voo do falcão, o meu desejo cresceu.
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